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O negócio é fazer sexo

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Por Ana Cristina Reis, editora da Revista O GLOBO - Reprodução

Quinquagésimo parece nome de personagem de desenho animado, do ogro que conquista a mocinha. Uma palavra que soa engraçada para um simbolismo forte: em religião, o número 50 é Pentecostes, o do advento do Espírito Santo; na sociedade, é o início da meia idade. Pai, mãe: vocês vão ter uma filha de meia idade a partir de 8 de agosto. Dá para acreditar? Houve sinais. Agora preciso dormir oito horas para me sentir descansada; comer um extenso menu degustação, só se o restaurante for the best; não dá mais para passar de duas caipivodcas quando tenho que trabalhar no dia seguinte; e resfriados viram assunto de conversa porque não vão embora com a rapidez de antes. 

Mas aquele papo de que algumas coisas melhoram com a idade não é lorota. Há dez anos, surtaria se fosse obrigada a a ver diariamente um cartaz que diz “Você sabia que aqui possui um (nome de banco) para você? Venha nos fazer uma visita!”. Por que algumas (muitas) pessoas insistem em achar sofisticado substituir o verbo ter pelo possuir? Outro dia, ouvi: “O adolescente, que já possui passagem pela polícia…”. Homessa. Além da tolerância, aumentou o otimismo. Acabo de descobrir que a Ciência recomenda que a população a partir de 50 anos namore mais. Estudo acaba recém-divulgado afirma que a prática sexual faz bem ao cérebro de pessoas mais velhas.

Cientistas das universidades de Oxford e Coventry analisaram o histórico sexual de 28 homens e 45 mulheres 50 e 83 anos. Depois de os participantes preencheram questionário sobre a frequência de suas atividades no último ano, eles foram submetidos a testes que mediram funções cerebrais. Isso incluiu testes de fluência verbal, em que os integrantes tiveram que citar o máximo de nomes de animais durante um minuto, e em seguida palavras que começassem com a letra F, e também exercícios para avaliar a capacidade visual (observar uma ilustração complexa e a face de um relógio, memorizá-los e copiá-los num desenho).

“A sociedade não gosta de pensar que as pessoas mais velhas têm relações sexuais, mas precisamos desafiar essa concepção e analisar o impacto que a atividade pode ter para a meia idade e para os mais idosos, além dos efeitos de bem-estar geral”, disse a pesquisadora Hayley Wright, principal autora do estudo, ao jornal “Daily Mail”. E resumiu: “As relações sexuais na vida de adultos de mais de 50 anos estão impactando em outros fatores, neste caso, a função cognitiva”,

Os resultados mostraram que quem fazia mais sexo tinha fluência verbal superior e melhor consciência espacial. Mas, infelizmente, a frequência não pareceu refinar ou influenciar a memória.

Faz sentido: no supermercado, sempre sei em que prateleiras estão os produtos e posso discursar sobre as qualidades de quatro tipos diferentes de molho de tomate, mas sempre me esqueço de alguma coisa que estou precisando se não levar uma lista de compras. Mas o queijo para o namorado é sagrado.
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