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Voa, dinheiro! E o dinheiro voa

Um presidente da República, na opinião de seus aliados, não pode se submeter à humilhação de um voo com escalas. Foi isso que Lula alegou para não usar um excelente jato da Embraer, que até serviria de propaganda para a indústria brasileira, e preferiu o Airbus conhecido como AeroLula. E Temer alega o mesmo motivo para alugar um Boeing 767: pode fazer viagens 2.500 km mais longas sem o incômodo de pousar para reabastecer.

No Interior de São Paulo, onde nasceram este colunista e Michel Temer, dir-se-ia: “Que frescura!” Ou, no caso de Lula e de Temer, talvez não seja frescura. Afinal, quem paga não são eles, somos nós. Eles só desfrutam. 

Esquisitice: o AeroTemer é alugado de uma empresa, a Colt Transportes Aéreos, proibida de voar. Seu Certificado de Empresa de Transporte Aéreo foi suspenso há nove meses, pelo mesmo Governo que alugou o avião, entre outros motivos “por deficiência (...) de execução de tarefas de manutenção”. Outra empresa do grupo, a Colt Táxi Aéreo, teve a licença cassada pelo Governo por, segundo o jornalista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, que descobriu o caso, “problemas técnicos e trabalhistas”. Mas alguém no Governo tem bons motivos para confiar neles.

A Colt ganhou a licitação para alugar o Boeing até 2019 por US$ 19,77 milhões; o preço inclui manutenção e logística (o que a FAB poderia fazer com perícia) e seguro. No pagamento estão incluídos nossos impostos.
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