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‘Le Monde’: Brasil virou “Vaudeville e povo sofre overdose de escândalos”

Matéria publicada nesta sexta-feira (15) pelo Le Monde e reproduzida pelo Jornal do Brasil fala sobre as novas acusações do procurador-geral da República Rodrigo contra o presidente Michel Temer. O diário salienta: “Janot lançou sua última flecha há alguns dias de deixar o cargo”. Monde descreve Rodrigo Janot como “importante figura na luta contra a corrupção e um feroz caçador de políticos, além de lembrar que seu mandato expira dia 17.

Na acusação contra Michel Temer ao Supremo Tribunal, o procurador acusou o presidente de “participação em uma organização criminosa” e “obstrução da justiça”. Monde destaca a iniciativa de Janot como “histórica que, em um Brasil transformado em um Vaudeville onde os casos de dinheiro sujo se tornaram tão frequentes que acabaram parecendo algo normal”.

Esta é a segunda denúncia apresentada em menos de dois meses contra o presidente e pode levar à sua demissão. A primeiro, por “corrupção passiva”, foi bloqueada pelo Congresso, lembra o periódico. Graças ao apoio de um terço dos deputados, o chefe de Estado escapou de ir a julgamento.
 
Segundo os analistas, esta segunda acusação poderia ter o mesmo destino. Monde lembra que Michel Temer é conhecido como mestre das negociações políticas. Em troca de favores, concedido aos deputados, particularmente aqueles descritos como “baixo clero”, pertencentes a pequenos partidos, trocou apoio por medidas caras e polêmicos (destinados, por exemplo, a abrir reservas naturais para mineração).

“Para não ser afastado o presidente que se apresenta como um homem que está sofrendo e sendo “perseguido” por um promotor que lhe prometeu uma “inimizade capital”, também se beneficia da pequena recuperação da economia.
O vespertino avança: “Para registro, o septuagenário é suspeito de ter comprado o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, como ele do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, que está cumprindo uma pena de 15 anos de prisão”.

“Michel Temer também é apresentado como o “chefe da organização” de uma extensa rede de distribuição de subornos. Entre seus capangas seria o chamado “o homem com a bolsa”, Rocha Loures, suspeito de ter sido portador de uma maleta de 500 mil reais de subornos pagos pela JBS e seu ex-ministro Geddel Viera Lima, preso após a descoberta de um bunker de 51 milhões de reais.

Mas as últimas reviravoltas do caso JBS sugerem que o contratado teria previamente organizado um esquema com um membro do Ministério Público para fornecer elementos para escapar da própria prisão. Um vaudeville, eles disseram. No entanto, continua Le Monde, mesmo que Michel Temer escape de um julgamento, a flecha disparada por Rodrigo Janot continua sendo fatal. Apreciado por apenas 5% dos brasileiros, Michel Temer assume a aparência de um cadáver político. 

Se os mercados financeiros ainda acreditam nele, as reformas que ele pretende liderar parecem, se não comprometidas, pelo menos reduzidas. Tornando-se a encarnação da decadência de um antigo mundo político, onde tanto a esquerda como a direita estão mergulhadas em assuntos sombrios. Para finalizar, Le Monde avalia que brasileiros estão sofrendo quase que uma overdose de escândalos de corrupção e as vezes preferem desviar seu olhar e tampar o nariz enquanto aguardam as eleições presidenciais de 2018.

*Vaudeville foi um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930.

Jornal francês se refere a Michel Temer como “cadáver político”.

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