MPF denuncia Lula, Gilberto Carvalho e mais cinco na Operação Zelotes

Do R7 - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta segunda-feira (11/9) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Gilberto Carvalho por corrupção passiva em um dos processos da Operação Zelotes. Os procuradores do caso também acusam mais cinco investigados de beneficiarem montadoras de veículos por meio da edição de medidas provisórias.

Segundo o MPF-DF, as irregularidades foram praticadas no período de elaboração e edição da Medida Provisória 471/09, que prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilístico. Lula e Carvalho são acusados de cometer o crime de corrupção passiva, que tem pena de 2 a 12 anos de prisão, além de multa. 

Já os outros cinco denunciados são acusados de corrupção ativa, que tem a mesma previsão de pena. São eles: os empresários Carlos Alberto de Oliveira Andrade (Grupo Caoa), Paulo Ferraz Arantes (MMC - Mitsubishi) e Mauro Marcondes Machado (M&M), além do ex-conselheiro do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) José Ricardo da Silva e o lobista Alexandre Paes dos Santos. 

O MPF-DF sustenta que José Ricardo Silva recebeu do diretor jurídico da M&M, Ricardo Rett, duas cartas endereçadas ao então presidente da República com os pedidos de alteração legislativa. Entre as provas mencionadas pelo MPF estão manuscritos, e-mails e atas de reuniões apreendidas com os envolvidos.

De acordo com os procuradores da República Frederico Paiva e Hebert Mesquita, a aprovação da MP envolveu a promessa de pagamentos de vantagens indevidas a intermediários do esquema e aos agentes políticos. Metade do valor acertado, segundo a denúncia, foi repassado pela montadora Mitsubishi à empresa M&M, intermediária do esquema (leia a denúncia na íntegra).

De acordo com a denúncia, as empresas automobilísticas teriam prometido R$ 6 milhões a Lula e Carvalho, então chefe de gabinete do ex-presidente, em troca de benefícios para o setor.  “Diante de tal promessa, os agentes públicos, infringindo dever funcional, favoreceram às montadoras de veículos MMC [Mitsubishi] e Caoa ao editarem, em celeridade e procedimento atípicos, a Medida Provisória n° 471, em 23/11/2009, exatamente nos termos encomendados, franqueando aos corruptores, inclusive, conhecimento do texto dela antes de ser publicada e sequer numerada, depois de feitos os ajustes encomendados”, diz a denúncia. O R7 entrou em contato com a defesa do ex-presidente e aguarda um posicionamento a respeito da denúncia.
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