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Trauma por acidentes cresce 36,8% no Rio Grande do Norte

No Hospital Walfredo Gurgel, a maioria das internações por politrauma é decorrente de acidentes de trânsito envolvendo motos. Os casos são cada vez mais recorrentes
Tribuna do Norte - No Hospital Walfredo Gurgel, a maioria das internações por politrauma é decorrente de acidentes de trânsito envolvendo motos. Os casos são cada vez mais recorrentes.

O trauma foi responsável por  7.788 feridos internados de janeiro a junho deste ano, no Rio Grande do Norte. A quantidade é 36,8% maior do que foi registrado no mesmo período de 2016, quando ocorreram 5.693 casos envolvendo acidentes, em maior parte, envolvendo carros e motos no trânsito. Os dados constam no DataSUS, base de dados do Ministério da Saúde. No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior hospital de trauma e principal porta de entrada para acidentados no estado, a demanda de feridos em acidentes abarrota o s corredores e geram filas de espera por uma cirurgia ortopédica. 
 
Internado há 51 dias em uma maca no corredor do 4º andar do Walfredo Gurgel, onde está instalada a enfermaria para os casos de politrauma, José de Oliveira Marinho, 58 anos, aguarda passar por mais um procedimento cirúrgico. Por causa de um acidente de moto, o agricultor amputou um dedo do pé e fraturou ossos da perna. Ele se deslocava do município de Campo Redondo, no agreste potiguar para Currais Novos, na mesma região, quando foi surpreendido por outra moto. “A pessoa sinalizou que ia entrar  para a esquerda, pisou no freio e a moto perdeu o controle”, lembra José Marinho.

Enquanto fazia um bico como moto táxi, transportando uma passageira em Extremoz, José Aparecido da Silva, 49 anos, foi vítima de um acidente de moto. Internado no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel há 24 dias, ele aguarda por uma cirurgia ortopédica. Com uma fratura exposta, ele colocou pinos de platina para sustentar os ossos enquanto aguarda pelo procedimento cirúrgico. “Eu estava subindo uma ladeira a 60 km por hora, uma pessoa atravessou para a faixa onde eu estava e não tive como me livrar”, disse José Aparecido.  

O RN segue a tendência nacional. No Brasil, o trauma foi responsável por 563.774 feridos internados no primeiro semestre deste ano. Para atender a todos esses pacientes, o SUS (Sistema Único de Saúde) desembolsou R$ 703 milhões. O levantamento, feito pela SBAIT (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado) e baseado em informações do DataSUS, demonstram a vulnerabilidade de um País que abriga 13 das 50 cidades mais violentas do mundo e que possui poucos estudos para definir políticas públicas eficientes. No mesmo período do ano passado, foram 559.697 internações. O aumento foi de 0,75%.

“São números realmente alarmantes. O registram mostram o quanto caminhamos devagar nesse setor”, afirma o presidente da SBAIT, José Mauro da Silva Rodrigues. “Vivemos uma situação de guerra não declarada. É uma epidemia desta doença no País. O mais triste é que praticamente todas as ocorrências de Trauma poderiam ser evitadas”, completa.  
José Aparecido da Silva se acidentou enquanto fazia um bico como moto táxi, em Extremoz. Aos 49 anos, está no HWG há 24 dias. Teve fratura exposta, recebeu pinos de platina e aguarda cirurgia
José Aparecido da Silva se acidentou enquanto fazia um bico como moto táxi, em Extremoz. Aos 49 anos, está no HWG há 24 dias. Teve fratura exposta, recebeu pinos de platina e aguarda cirurgia. 

Do total de internações por trauma, 101.785 foram causadas por alguma ocorrência envolvendo meios de transporte, o que resultou em um gasto de R$ 141,5 milhões no SUS .  “Se considerarmos que, na maioria das vezes, uma ocorrência de trânsito está relacionada a falhas nos veículos, que poderiam ser evitadas com manutenção, falhas nas vias públicas, que poderiam ser evitadas com sinalização adequada e vias seguras, ou imprudência, como desrespeito às regras de trânsito, uso de celular ao volante, etc., esta situação poderia ser bem diferente apenas com prevenção”, explica Rodrigues.

Atuando como cirurgião da área de politrauma do Walfredo Gurgel há sete anos, Paulo Renato Leal analisa que os casos de pessoas acidentadas no trânsito são cada vez mais recorrentes no hospital. “Observamos que evoluiu a quantidade de acidentados, principalmente de pacientes ortopédicos com fraturas. O hospital tem ficado 'inchado', pois não acompanha o crescimento da metrópole. Passamos por problema, como a falta de leitos de UTI, por exemplo”, avaliou o médico. 

Média mensal de vítimas quase dobrou em dez anos

O número de vítimas atendidas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel em decorrência de acidentes de motos caiu em 2016. Enquanto o hospital registrou 10.411 acidentados em 2015, no ano passado a unidade de saúde atendeu 8.729 pessoas, uma redução de 16,1%. Apesar de apresentar uma redução no número de atendimentos entre os anos de 2016 e 2015, o Walfredo Gurgel constatou que o número de pacientes atendidos vítimas do trânsito cresceu vertiginosamente nos últimos 10 anos. 


Em 2006, a média de atendimento de acidentados com motos no HMWG era de 405 pacientes no mês, em 2016, a média subiu para 727 pacientes. Em dados absolutos, o hospital registrou o atendimento de 4.860 pessoas em 2006 contra 8.729 pessoas no ano passado, um aumento de 79,6% no número de vítimas.

O que
Trauma 

Trauma é todo atendimento médico decorrente de lesões provocadas por causas externas, como ocorrências de trânsito, violência, quedas e outros tipos de acidentes. A SBAIT é uma entidade que reúne cirurgiões do Trauma de todo o País e desenvolve vários trabalhos de prevenção.
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