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Comércio prevê maior contratação temporária para o fim do ano

Correio Braziliense - Volta do movimento surpreende e faz muitos empresários retomarem a oferta de vagas provisórias para atender à demanda do Natal. Em todo o país, devem surgir 207.590 chances, 5,5% mais do que no ano passado. De acordo com estudos da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), a previsão é de abertura de 207.590 vagas desse tipo nos meses de novembro e dezembro em todo o país
 
Após dois anos consecutivos de queda, as vendas no comércio devem crescer. O fluxo de pessoas e veículos nos shoppings da cidade teve um aumento que varia de 4,5% até 6% desde o início de setembro até agora em comparação com o mesmo período do ano passado. Com maior demanda, os lojistas pretendem contratar mais vendedores e vendedoras. De acordo com estudos da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), a previsão é de abertura de 207.590 vagas desse tipo nos meses de novembro e dezembro em todo o país. O número indica uma recuperação em relação ao ano anterior, no qual foram criadas 196.769 vagas, um aumento de 5,5%.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) prevê que 31,8% dos empresários do setor farão contratação no fim de ano, com vistas, principalmente, às vendas para o Natal. Assim, serão abertas 3,9 mil colocações temporárias só nas lojas do Distrito Federal, 100 a mais do que no ano passado. O aumento, de 2,6%, é bem menor do que a média nacional de todos os setores. Mas, ainda assim, pode ser comemorado.

Segundo o superintendente do Conjunto Nacional, Fernando Marchesi, há alguns meses, os lojistas pretendiam trabalhar apenas com a equipe já contratada. Essa avaliação mudou. “Houve uma redução significativa da inflação. Outro fator que ajudou nas compras foi a liberação do saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)”, analisa. As vendas do Conjunto Nacional cresceram 10% desde o início de setembro em relação ao mesmo período do ano passado. “O varejo é um dos primeiros a sentir a crise, mas a recuperação também é rápida quando a recessão acaba. O consumidor reconquistou poder de compra. Isso gera confiança para todos”, comenta Marchesi.
Oferta

Há 94 vagas no mercado temporário brasiliense até agora, em todos os setores. São diversos cargos, como estoquista, vendedor, balconista, auxiliar de limpeza, atendente de caixa, recepcionista e outros. O presidente da Fecomércio-DF, Aldemir Santana, destaca que as 3,9 mil vagas a serem criadas no varejo são poucas, se comparadas às 7 mil de 2014. “Desde 2015, o início das contratações é cada vez mais tardio. Antes aconteciam a partir de agosto e agora, somente na segunda quinzena de novembro”, afirmou.

Algo que favorece a previsão para este ano, além da recuperação econômica, são as alterações da Lei nº 6.019, que aumentam o prazo do contrato de trabalho temporário de 90 para 180 dias. As mudanças deixam as empresas mais seguras para contratar. Mara Bonafé, diretora regional da Asserttem em Brasília, explica que, desde setembro, houve um aumento de empregos temporários na indústria e que, a partir de 10 de novembro, as contratações no comércio devem ser expressivas. Para a associação, há uma expectativa de que 5% desses cargos temporários sejam efetivados posteriormente.
Intermediário

A contratação de pessoas nessa modalidade só poderá ser realizada por uma Agência Privada de Trabalho Temporário (APTT) autorizada pelo Ministério do Trabalho. O trabalhador temporário tem vários direitos de um trabalhador efetivo, como contribuição previdenciária. Não valem para ele, porém, aviso-prévio, FGTS e seguro-desemprego. Mara afirma que quem conquista uma vaga precisa ter responsabilidade e pontualidade. “Dedicação total nesse período é extremamente importante”, comenta. Quem está no começo da carreira tem a oportunidade de ganhar experiência. E não pode se esquecer de que são razoáveis as chances de ser efetivado para o próximo ano.

A estudante Lívia Bruno, 22 anos, está em busca, pela primeira vez, de um emprego temporário, com o objetivo de ganhar um dinheiro extra para o fim de ano. Nas últimas semanas, ela começou a procurar vagas em lojas, usando o velho método de ir de porta em porta. “Estou distribuindo meu currículo”, conta. Ela tem esperanças de que a busca dê certo, mesmo sabendo que isso está longe de ser garantido. “Quero ocupar minhas tardes. E não pretendo ficar à toa durante as férias na faculdade”, relata.

A economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Izabel Mendes lembra que dezembro costuma ser o mês com menor taxa de desemprego e contratação alavancada. “Em 2015 e 2016, essa sazonalidade foi interrompida. A economia estava tão ruim que as vendas caíram muito e o desemprego cresceu mesmo nos últimos meses do ano. Mas começamos a notar uma reversão, ainda que muitos indicadores sigam fracos”, explica.
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