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A verdadeira e dramática história por trás dessa foto e o triste fim de quem a registrou

Quando a fotografia que captura o sofrimento da fome no Sudão foi publicada no New York Times em 26 de março de 1993, a reação dos leitores foi intensa e pouco positiva.
 
Kevin Carter, o fotógrafo desta icônica foto intitulada de “O abutre e a garotinha” na época foi taxado de desumano. Também disseram que deveria ter deixado a câmera de lado para ajudar a pobre criança. Carter foi um fotojornalista sul-africano que cresceu durante o Apartheid, e registrou essa época terrível da África do Sul bem como conflitos étnicos entre Xhosas e Zulus.

Carter assumiu uma missão especial no Sudão, onde tirou a famosa foto do abutre. Ele passou alguns dias visitando aldeias cheias de pessoas famintas. Todo o tempo, ele ficou cercado por soldados armados sudaneses que estavam lá para impedi-lo de interferir. As fotos abaixo são evidências de que mesmo que ele quisesse ajudar a menina, os soldados não permitiriam.

Depois que o New York Times publicou a foto, recebeu uma série de telefonemas e cartas de leitores que queriam saber o que aconteceu com a menina, obrigando o jornal a realizar um fato raro: publicar uma nota do editor descrevendo o que eles sabiam da situação. “O fotógrafo relata que ela se recuperou o suficiente para continuar sua caminhada depois que o abutre foi afugentado. Não se sabe se ela chegou ao centro de alimentação”, dizia a nota.

Apesar da polêmica, essa foto rendeu a Carter o prêmio Pulitzer, um prêmio de extrema importância a pessoas que realizam trabalhos de excelência na área do jornalismo. Carter fazia parte de um grupo de fotojornalistas de guerra chamado “Bang Bang Club”, que era um grupo de fotojornalistas que ia para os municípios sul-africanos para cobrir a violência extrema que acontecia ali.

Em poucos anos, ele presenciou inúmeros assassinatos, espancamentos, esfaqueamentos, tiros e execuções com o que era chamado de “colar de diamantes”, uma prática que consistia em colocar um pneu cheio de óleo no pescoço da vítima, para depois atear fogo nesse pneu. A gota d’água para Carter foi a morte do seu melhor amigo e membro do Bang Bang Club, Ken Oosterbroek, baleado enquanto fotografava um conflito. Carter sentia que teria morrido no lugar de seu amigo, se não estivesse dando uma entrevista sobre o prêmio Pulitzer.

Vivendo com uma forte depressão, o fotógrafo cometeu um erro terrível. Em missão para a revista Time, ele viajou para Moçambique. No voo de retorno, deixou todo o seu filme, cerca de 16 rolos, no avião. Essas fotos nunca foram recuperadas. No auge da depressão, Carter dirigiu seu carro para um parque, colocou uma mangueira no escapamento ligando no interior do carro e inalou gás carbônico até a morte.

Certamente pouco sabemos sobre quem está por trás das fotografias que vemos, sejam exuberantes ou terríveis – como no caso deste fotojornalista de guerra. Definitivamente é um dos trabalhos mais árduos e difíceis de realizar. O legado de Carter percorre o mundo até hoje, sendo lembrado diversas vezes na história do fotojornalismo.
 
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