EM DESTAQUE

CDS EM DESTAQUES

Atriz potiguar Titina Medeiros, vai estrear o seu espetáculo “Meu Seridó” no dia 30 de novembro

Imagem relacionada
FOTO ZÔ GUIMARÃES 

Da Tribuna do Norte – No palco, duas mulheres, uma mestiça e outra branca, se enfrentam verbalmente para afirmar as raízes de suas famílias. A atriz Titina Medeiros, que interpreta uma das mulheres, interrompe a cena – esqueceu a fala. Tudo bem. A parte final da peça não está totalmente amarrada. 

Mas o esquecimento do texto não preocupa. O ensaio, o segundo do dia, é justamente para resolver detalhes ainda em aberto. Mas na próxima quinta-feira, dia 30 de novembro, tudo estará devidamente ajeitado para a estreia do espetáculo “Meu Seridó”, projeto que nasceu do desejo da acariense Titina de falar de sua região de origem. A reportagem do VIVER pode assistir a um dos ensaios de “Meu Seridó” e conferir de perto como se desenrolará o espetáculo inédito. No palco, além de Titina, estão Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha e Marcílio Amorim. Os cinco dão vida a um dezena de personagens que constroem de forma dinâmica e bem humorada – mas sem deixar de lado o drama, o poético e alguns aspectos realistas – a história de uma das regiões mais emblemáticas do Rio Grande do Norte.
Nascido de índios, mestiços e brancos, o Seridó equilibra questionamentos e humor leve
No texto original do dramaturgo carioca Filipe Miguez – autor da novela “Cheias de Charme” (2012), em que Titina estourou nacionalmente no papel de Socorro –, o Seridó real se mistura com o Seridó mítico e ancestral. A narrativa passa pelo “descobrimento” da região, suas formas de ocupação, o surgimento das primeira famílias, seus conflitos, seus períodos de seca e seu legado social, político e cultural nos dias de hoje.

“Se for pra resumir, o texto mostra o Seridó entre a realidade, o delírio e a nostalgia”, define Titina, que em maio deste ano, no início do processo, chegou a visitar a região junto a Miguez e parte do elenco. Posteriormente, o dramaturgo contou com a colaboração da historiadora Leusa Araújo. Os dois são parceiros de trabalho nas novelas da Globo, justamente com ela realizando a parte de pesquisas. Leusa é seridoense de Caicó. Segundo Titina, sua chegada ao projeto intensificou o processo. “Ela trouxe novas referências e checou informações para que não mostrássemos nada de errado”. Cesar Ferrario, companheiro de Titina, assina a direção. Ele está atualmente em gravação na novela “O Outro Lado do Paraíso” e por isso Dudu Galvão assume as rédeas como assistente de direção.
No palco, elementos do Seridó Colonial, arcaico e colorido são representados no cenário e vestes
A história serve como pano de fundo para diversos questionamentos. A peça fala da condição da mulher, dos índios, dos negros. Rebate a ideia de que o Seridó é terra de gente branca e não mestiça. “Os fundadores do Seridó não são brancos. São índios. Como em grande parte do interior do Brasil, eles foram expulsos da região para dar lugar aos bois. É o que estamos vendo acontecer na Amazônia com pecuária”, comenta Titina, que parte do local para chegar ao universal. “Falando da nossa aldeia a gente percebe que consegue falar do mundo”.

Segundo a atriz, a premissa do projeto era montar um espetáculo que desse para apresentar em alpendre, em sítio, assentamento. Em suma, algo que coubesse na mala. “Sabemos que o teatro às vezes intimida. Tiro por minha mãe, que não gosta muito do ambiente pomposo, mas que quando assiste espetáculos na rua ela gosta muito”, conta Titina.

Responsável pelo cenário, figurino e elementos de cena, João Marcelino buscou não cair no óbvio no trabalho artístico. Ele extrai da paisagem da região e da população o colorido e alegria que joga nas vestimentas e arquitetura do palco. “Embora a região seja árida e seca, a gente vê que os moradores são alegres, festivos, sentem orgulho da própria terra. Gostam de andar arrumados. Não esquecemos desse sentimento”, diz Marcelino.

A música do espetáculo é outro elemento que chama atenção. A trilha é original e foi composta por Caio Padilha. Ele usou como referência o universo radiofônico das cidades do interior. “A música sai desse lugar doméstico, que é o rádio, e parte para um lugar macro, mítico. Nesse sentido a rabeca serve para explorar esse ponto dúbio. É um instrumento que tem no seu timbre certo lamento que toca num lugar profundo, ao mesmo tempo que universal”, comenta o músico e ator.

Atualmente afastada do Clowns de Shakespeare para a realização de novos projetos, Titina reuniu em torno de si uma equipe de profissionais e amigos que a permite se sentir em casa. “Estou pisando num solo que conheço bem. Marcílio foi meu primeiro amigo quando eu chegue em Natal vinda de Acari. Nara Kelly é minha prima e começou junto comigo no palco, no grupo Tambor de Teatro. João Marcelino foi nosso mestre”, conta.

Ela está assinando a realização de “Meu Seridó” com a sua produtora Casa de Zoé. A temporada de estreia contará com oito datas e apresentações em vários bairros de Natal, sempre com entrada gratuita. O patrocínio é da Unimed Natal e Hospital do Coração, por meio do Programa Djalma Maranhão.

Apresentações do Espetáculo “MEU SERIDÓ”

30/11 – estreia no TECESOL (Neópolis)
01/12 – Casa do Mestre Manoel Marinheiro (Felipe Camarão)
02/12 – Praça da Igreja (Cidade Esperança)
03/12 – Praça André de Albuquerque (Cidade Alta)
14/12 – Espaço Cultural Jesiel Figueiredo (Gramoré)
15/12 – Área de lazer do Panatis (Panatis)
16/12 – Praça Henrique Carloni/Disco Voador (Ponta Negra)
17/12 – Praça Cívica (Petrópolis)
Horário: 18h00

Acesso gratuito
Compartilhe com Google Plus

About Canindé Silva

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comentários :

Postar um comentário