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Café faz bem a saúde?

Quem resiste àquele cheirinho de café de manhãzinha ou no meio da tarde? Quentinho, frio, com leite, puro, amargo ou bem docinho, o café está no topo das bebidas mais consumidas não só pelos brasileiros, mas no mundo todo. Além de saborosa e popular, a bebida também é controversa: afinal, o café faz bem ou faz mal para a saúde? 

Uma pesquisa que reuniu dados de mais de 200 estudos anteriores traz uma boa notícia para fãs do café. Segundo o trabalho, indivíduos que tomam três ou quatro doses da bebida por dia têm mais chances de desfrutar de certos benefícios à saúde do que pessoas que não bebem café. Entre estes benefícios, estão um risco menor de doenças cardíacas e de morte prematura. Na pesquisa, o hábito de beber café também se mostrou ligado a menores riscos de diabetes, doenças no fígado, demência e até de alguns cânceres. Realizado por cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, o trabalho foi publicado pelo periódico British Medical Journal.

Mas, por se tratar de uma análise prioritariamente observacional, os responsáveis não têm provas de que beber café é a razão para esses ganhos. Eles apenas verificaram que, entre os adeptos do café que participaram da pesquisa, os indicadores de saúde eram melhores. Até por conta disso, os especialistas dizem que ninguém deve começar a beber café com o objetivo de melhorar sua saúde. Mas, de uma maneira geral, pode-se dizer que o café está mais ligado a aspectos positivos do que negativos para o corpo.

– Fatores como a idade, uso de cigarro e frequência de execícios físicos podem ter influenciado o estudo – ponderou pesquisador e co-autor da análise Paul Roderick. – Existe um balança de riscos na vida, e, aparentemente, os benefícios do consumo moderdo de café são maiores que os riscos.

O estudo, por outro lado, confirmou algo que pesquisas prévias já tinham assinalado: café demais pode prejudicar mulheres durante a gravidez. A Agência Nacional de Saúde do Reino Unido, aliás, diz que gestantes não devem beber mais do que dois copos de café por dia, o que equivale a 400mg de cafeína. Adultos, de uma maneira geral, não devem consumir mais de três ou quatro copos, ou 400 mg de cafeína.

Mocinho ou bandido?

Mas não é só de cafeína que o café é composto. A fruta também possui potássio, magnésio, cálcio, sódio, ferro, manganês, ácidos graxos livres, niacina e diversos outros minerais, aminoácidos e lipídeos importantes para o bom funcionamento do organismo. "Estudos sugerem que a cafeína pode ajudar a prevenir doenças metabólicas, como diabetes, diminuir o risco de doenças como parkinson, alzheimer, cirrose e cálculos da vesícula biliar, combater os radicais livres, além de favorecer a oxidação de lipídeos, ou seja, a queima de gordura", aponta Oliveira.

Além disso, o café possui potentes antagonistas opioides (o ácido clorogênico e quinídeo), substâncias que agem bloqueando os receptores opioides, impedindo-os de atuar. Com isso, reduzem a necessidade de opioides naturais, como a endorfina (conhecida como o hormônio do prazer), e também dos artificiais, como morfina, heroína e codeína. Por isso alguns estudos apontam que o café pode ajudar no tratamento da depressão, além do alcoolismo e da dependência química de drogas.  

E não é só: o café também contribuiria para diminuir o risco de insuficiência cardíaca. Um estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico Beth Israel, hospital ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicado no ano passado no periódico Circulation: Heart Failure, da Associação Americana do Coração, demonstrou que o consumo de quatro xícaras pequenas de café por dia diminui em até 11% as chances de uma pessoa desenvolver insuficiência cardíaca. "Isso porque ele favorece o controle dos níveis de colesterol no sangue, pois diminui a oxidação do colesterol ruim (LDL), que é capaz de causar inflamação nas artérias. Além da cafeína, outras substâncias presentes na bebida, como os ácidos clorogênicos, reduzem a incidência de diabetes, fator de risco importante para o desenvolvimento da doença coronariana", explica Barbosa.

Na dose certa

Mas a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Por isso é bom consumir o café moderadamente. Exagerar na dose pode levar a taquicardia, agravamento das lesões no aparelho digestivo (aftas, gastrite), piora dos sintomas das doenças intestinais, como os da doença de Crohn (constipação, disenteria e aparecimento de pólipos) e, o mais comum, a dificuldade para dormir.

A FDA (Food and Drug Administration), órgão regulatório de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, classifica a cafeína como uma substância segura, que não implica riscos para a saúde, desde que consumida moderadamente. Para desfrutar da bebida com prazer e sem ter complicações, a entidade alerta que o ideal é não ultrapassar o limite de 150 ml a 200 ml de café ao dia (o equivalente a três ou quatro xícaras pequenas), distribuídos em três porções: uma de manhã e as outras duas ou três no início e até o final da tarde, dando um espaço de tempo de ao menos uma hora entre uma tomada e outra.
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