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Chuvas no Nordeste: Meteorologia quer reduzir incertezas nas previsões

Atualmente, os reservatórios do Ceará acumulam apenas 8,8% da capacidade de armazenamento. O Açude Arrojado Lisboa (Banabuiú), terceiro maior do Estado, está com apenas 0,57%.
O Ceará está no limite de enfrentar um colapso no abastecimento de água de importantes centros urbanos. A próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio) será decisiva para reduzir ou ampliar a crise hídrica no Interior e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Os meteorologistas e o governo do Estado estão preocupados e atentos aos fatores climáticos, mas somente em janeiro de 2018 haverá uma previsão sobre as probabilidades de ocorrência de chuvas.A informação é do Diário do Nordeste.
Dentro deste contexto, começa hoje, em Fortaleza, a 22ª reunião anual da conferência de colaboração internacional, conhecida por projeto Pirata, que faz acompanhamento de temperatura do Oceano Atlântico Tropical e de águas superficiais, radiação solar, umidade, ventos, pressão atmosférica, precipitação, por meio de 21 boias oceanográficas. O evento se estende até o próximo dia 10.
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e outros institutos utilizam as informações para análise e previsão do clima e do tempo. "A realização da conferência em Fortaleza vai contribuir para o entrosamento científico e melhor troca de informações", observou o presidente do evento, o professor do curso de Oceanografia do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará, Geraldo Ferreira. O projeto Pirata foi criado há 20 anos. A conferência vai reunir pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da França. Os cientistas estão de olho na temperatura do Oceano Atlântico Tropical, que é decisiva para a ocorrência de chuvas no Nordeste brasileiro.
Previsão
Para o trimestre novembro, dezembro e janeiro, período de pré-estação chuvosa no Ceará, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta previsão com igual probabilidade para as categorias abaixo, acima e dentro da média histórica.
O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, mostra que a tendência para os meses de dezembro e janeiro é de chuvas dentro da média histórica, sem significação para mudar o quadro de perda de reservas hídricas nos principais reservatórios do Ceará desde 2012. "Existe uma tendência de formação de La Niña, mas fraca e de curta duração. Em março e abril, não deverá estar mais presente", explica Fritz. O fenômeno meteorológico La Niña é o inverso do El Niño e se caracteriza pelo esfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, podendo favorecer a ocorrência de chuvas no Ceará. Segundo as previsões atuais, a ocorrência do La Niña, entretanto, não deve influenciar a próxima quadra chuvosa.
Atlântico decisivo
Neste ano, mais uma vez, a atenção vai se voltar para o comportamento das condições de temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Tropical. "O Atlântico Tropical tem uma dinâmica, uma mudança de suas condições, muito rápida. Vamos ter de aguardar o início do próximo ano para ver como fica a diferença de temperatura entre o Oceano Atlântico Norte e o Sul", pontuou Fritz.
Zona de Convergência
O principal sistema que traz chuvas para o Estado do Ceará é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma extensa massa de nuvens, que tende a se aproximar de áreas onde a temperatura das águas superficiais está mais elevada. Por enquanto, permanece sobre o Atlântico Norte, acima da Linha do Equador, o que é característico e esperado para esta época do ano.
Para ocorrer boas chuvas no Ceará, entre fevereiro e maio, é necessário que o Atlântico Sul esteja mais aquecido em relação ao Norte. "Para dezembro e janeiro próximos, as previsões apontam para ocorrência de chuvas dentro da média", reafirmou o meteorologista
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