EM DESTAQUE

Geração de energia será menor

Desde 2011, a usina de Belo Monte, obra mais importante do PAC, já enfrentou várias paralisações
Tribuna do Norte - A pressão sobre os reservatórios das hidrelétricas tende a aumentar nos próximos anos, dada a ausência de novos projetos baseados na construção de grandes barragens e geração hídrica. Depois de uma década de investimentos em empreendimentos de grande porte, como Jirau, Santo Antônio, Belo Monte, Teles Pires e São Manoel, todas instaladas na região amazônica, o governo praticamente paralisou a construção de novos empreendimentos, por conta da complexidade ambiental desses projetos. Se dois anos atrás previa-se mais de 10 mil megawatts (MW) de energia com projetos hidrelétricos a serem instalados na próxima década, hoje essa projeção é de 3 mil megawatts. 

Governo federal enfrenta dois problemas: falta de recursos e impedimentos de ordem ambiental para construir novas hidrelétricas. “Usinas solar e eólica são complementares e importantes, mas não podem ser a principal fonte do País. Hoje estamos vivendo um problema estrutural no setor elétrico, porque deixamos de fazer usinas com grandes reservatórios. Antes tínhamos três ou quatro anos de previsibilidade de abastecimento, mesmo com falta de chuvas, devido aos nossos reservatórios. Hoje, essas estruturas suportam apenas meses se água. Perdemos esse benefício", diz Roberto Wagner, especialista em política industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Há 20 anos, as hidrelétricas respondiam por mais de 80% da geração de energia. Hoje, representam 60%. As mudanças nessa matriz terão impacto econômico. Um estudo elaborado pela CNI aponta que, para o Brasil cumprir o acordo de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, terá de desembolsar R$ 15 bilhões a mais do que o previsto pelo Plano Nacional de Energia (PNE). Segundo o levantamento, o investimento necessário para o País se adequar à meta da COP 21 para o setor elétrico - de aumento da parcela de geração renovável para ao menos 23% do total, desconsiderando a energia hídrica - será de R$ 316 bilhões até 2030, enquanto as estimativas do PNE são de R$ 301 bilhões. Na avaliação da CNI, a tendência é de que novas usinas a gás natural também passem a fazer parte dos investimentos em térmicas, para substituir usinas mais antigas e mais poluentes - de geração a diesel e carvão, por exemplo -, reduzindo assim os índices de emissão. 

Impacto limitado
O aumento do custo da energia não é um fator que limita a retomada do crescimento econômico, afirma o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa. Na avaliação dele, o câmbio tem mais impacto na competitividade da indústria do que o custo da energia. Segundo Pedrosa, o mais importante para o setor produtivo é a garantia de que haverá energia suficiente para abastecer o País, e isso está assegurado. “Nossa visão é de que o custo não vai impedir o crescimento econômico. Para a indústria, o grande problema seria o desabastecimento, mas isso não vai ocorrer", afirmou. "A não ser para a indústria eletrointensiva, a energia não define a competitividade da produção." 


Pedrosa, que atuou por muitos anos no setor privado, explica que a grande indústria compra energia com antecedência e garante contratos de médio e longo prazos com custos mais baixos. O secretário executivo reafirmou que o abastecimento de energia está garantido e que "criar um ambiente favorável é mais importante do que as questões de curto prazo". Entre as medidas que ajudam a criar um clima mais favorável estão o novo modelo do setor, a privatização da Eletrobrás, a revisão dos subsídios e as soluções para problemas bilionários que assombram os agentes há anos, como o risco hidrológico e a indenização das transmissoras.
Compartilhe com Google Plus

About Canindé Silva

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.

0 comentários :

Postar um comentário