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Pesquisa aponta que RN teve prejuízo de quase R$ 800 milhões com acidentes de trânsito em um ano

Acidentes de trânsito causam prejuízo milionário ao estado.

Fonte - O Observatório Nacional de Segurança Viária divulgou os dados mais recentes sobre prejuízos causados com acidentes de trânsito no país. As regiões Sudeste e Nordeste estão entre as que mais perderam recursos e, no caso do Rio Grande do Norte, o prejuízo ficou próximo dos R$ 800 milhões em um ano. Os números utilizados são referentes a 2015. De acordo com os dados apresentados, o Rio Grande do Norte teve prejuízo de R$ 794.034.250,67 devido aos acidentes de trânsito. Os custos são calculados com base em gastos com hospitais, médicos, infraestrutura, medicamentos e pronto-atendimento, entre outros fatores, todos custeados com verbas públicas.

"Consequentemente esse recurso deixou de ser investido em melhorias como saúde, educação, saneamento básico que poderiam ter sido feitas pelos respectivos Governos, mas não fizeram por causa dos acidentes de trânsito que poderiam ser evitados", aponta o estudo. Quando se leva em consideração o custo per capita, cada cidadão do Rio Grande do Norte paga, em média, R$ 230,68 de seus impostos para arcar com os gastos dos acidentes. O valor está abaixo da média nacional, que é de R$ 255,69, e é o segundo mais baixo do Nordeste, ficando acima somente do custo per capita da Bahia (R$ 200,81). Em números absolutos, o valor pago pelo RN em acidentes só é maior do que de Sergipe (R$ 741.281.794,50).

País

No país, o maior gasto per capita com acidentes é o do Piauí, onde R$ 495,23 dos impostos pagos por cada cidadão são para arcar com os gastos com acidentes de trânsito, enquanto no Tocantins, cada contribuinte paga R$ 488,36. Por outro lado, o valor no Rio de Janeiro é de R$ 179,57 e, em São Paulo, é de R$ 180,47. Apesar de ter o menor valor per capita, São Paulo, que possui de longe a maior frota do país, é o estado onde mais se gasta com acidentes. Em 2015, foram mais de R$ 8 bilhões. 

Entre os Estados, ainda em termos absolutos, o Pará é o que mais gasta na Região Norte. Já no Centro-Oeste, o Estado de Goiás fica na primeira posição. No Sul do Brasil é o Paraná o que mais desperdiça com acidentes. No Nordeste, o Ceará fica na primeira posição, enquanto que no Sudeste, é São Paulo o que mais gasta. No entanto, para se ter uma ideia do custo relativo, é importante ponderar o custo em relação à população de cada estado – o que modifica substancialmente o ranking.

Entretanto, existem cenários favoráveis que devem ser apontados, principalmente para que sirvam como exemplo aos demais. Segundo a análise dos dados compilados, os estados do Amazonas e Amapá são os que apresentam os melhores resultados, com gasto menor que R$160,00 por pessoa (conforme destacado em verde na tabela de custos). Há de se considerar que nesses Estados a participação de outros modos de transporte é maior, como o aquaviário, o que reduz a exposição a acidentes de trânsito. Seguindo essa perspectiva, os Estados com gastos abaixo da média nacional são Rio de Janeiro, São Paulo, Acre, Bahia, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, nessa ordem.

Lei Seca

Nos Estados do Rio de Janeiro e Pernambuco, os bons resultados podem ser associados ao fato de a fiscalização da Lei Seca ocorrer de forma bastante eficaz. Com ações diárias nas ruas, principalmente nas férias e feriados, e também campanhas nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, por exemplo), a efetividade das Operações nestes Estados tem se mostrado bastante positiva. De 2009 a 2016, após o início da Operação Lei Seca no RJ, houve uma redução de cerca de 43% no número de motoristas alcoolizados e 28% da taxa de óbitos por 100 mil habitantes. Já em Pernambuco, em cinco anos de Operação Lei Seca (2011 a 2016) foram abordados 1,7 milhão de motoristas onde 148 mil foram multados, 20 mil veículos foram rebocados e 36 mil motoristas tiveram a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) recolhida. Os agentes realizaram 1,7 milhão de testes com o etilômetro. Desse total, 32 mil condutores sofreram sanções administrativas e 1,5 mil criminais, por alcoolemia.

Movimento Paulista de Segurança no Trânsito

Já no estado de São Paulo, pode-se atribuir os baixos custos principalmente à redução do número de óbitos e acidentes de trânsito, que desde 2015 apresenta queda no indicador de óbitos/100 mil habitantes.  Parte desse mérito é graças ao Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, que inspirado pela Década de Ação pela Segurança no Trânsito, tem como objetivo reduzir em 50% o número de vítimas fatais no estado até 2020. Através de convênio com o Detran-SP e com mais de 50 municípios que apresentam indicadores mais críticos, uma vez que a maioria dos casos não está nas autoestradas e, sim, dentro das cidades, o Movimento já tem apresentado bons resultados. Além disso, o Governo do estado também promove iniciativas como as campanhas educativas permanentes e a Lei Seca, por meio da atuação eficiente do Programa Direção Segura. Dessa maneira, de janeiro a dezembro de 2016, segundo o Infosiga-SP, o número de óbitos nos acidentes de trânsito no estado de São Paulo ficou 5,6% abaixo do acumulado em 2015.

Acompanhe na tabela a seguir, o valor gasto por estados e regiões, em termos absolutos e per capita, no ano de 2015: 

Fonte dos dados: Ministério da Saúde, DENATRAN, Portal IRIS (ONSV, baseado em IPEA/ANTP),  Operação Lei seca do Rio de Janeiro, Infosiga-SP.
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