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Presépio com prostituta e casal gay é tirado de exposição

O presépio que foi removido da exposiçãoFolhapress - Um presépio com uma prostituta e um casal homossexual entre as personagens — além do Menino Jesus, e de Maria e José —, e que já tinha sido apresentado como uma obra que representa os excluídos, não está mais em exibição no Convento de Santo Antônio, no Centro do Rio. No lugar das imagens, agora figura um pano preto. Conforme divulgado pelo jornalista Ancelmo Gois em sua coluna, os curadores informaram que retiraram a peça “a fim de evitar escândalos que em nada contribuem para fomentar o Espírito de Natal”.

O presépio, feito pelo artista plástico Luciano de Almeida, estava em exposição pela primeira vez no Rio, após passar por São Paulo, Alemanha e Itália. Há quem associe a retirada da obra à censura ocorrida no carnaval de 1989, quando o Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta foi proibido pela Igreja de desfilar na Sapucaí e saiu coberto por plástico preto.
Presépio “Prediletos do Senhor” | Reprodução
Segundo o autor da obra criada em 2000 e exposta no mesmo ano na Estação da Luz, em São Paulo, a polêmica nasce da má compreensão da mensagem.  Intitulada "Prediletos do Senhor", foi inspirada em texto de São Paulo sobre os desamparados da sociedade. Estão retratados na obra os enfermos, as crianças vítimas de abusos, como trabalho e prostituição infantil, pessoas obesas, um casal idoso, um detento, índios e um homem enfermo. "Não importa quem você seja. É possível que em algum momento da sua vida você seja vítima de desamparo e preconceito. E são essas pessoas que eu quis retratar, há 18 anos, com essa obra. Se Jesus tivesse prediletos, seriam essas pessoas", disse Almeida. 

Apesar das diferentes figuras, o foco da polêmica foi o casal gay e a prostituta, retratada de saia, ajoelhada observando o menino Jesus. A obra é feita de barro cozido pintado. Há outras versões espalhadas no país, como uma em convento em Guaratinguetá (SP). O cenário da obra no Rio é composto de recortes de jornal. Sobre o casal gay, que aparece abraçado observando Jesus, há um recorte com a palavra "diálogos". 

"Em 2000, quando expusemos na Estação da Luz, não houve qualquer polêmica, pelo contrário, ganhamos um concurso popular de melhor presépio do país naquele ano. Acho que há um retrocesso da sociedade nesse sentido", disse Almeida. Uma segunda obra, que retrata figuras no presépio com roupas usadas em religiões de matriz africana, também foi alvo de críticas. As duas peças foram removidas da exposição gratuita no último dia 14. A retirada foi tornada pública em nota publicada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo

Escândalos

Por meio de nota, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil afirma que decidiu pela retirada para "evitar escândalos que em nada contribuem para fomentar o espírito do Natal". A ordem franciscana, contudo, fez uma defesa do trabalho dos artistas, ao afirmar que os presépios que agora são alvo de críticas provocam o "diálogo, a acolhida e a misericórdia", valores do Evangelho que, segundo a nota, seriam "irrenunciáveis" e que continuarão "sendo o norte" da congregação religiosa. Sobre a obra com a prostituta e o casal gay, a ordem afirma que o objetivo é externar dramas humanos que "Cristo da Encarnação desejou abraçar enquanto criança frágil, pequena e pobre". Jesus, segundo os franciscanos dizem na nota, seria "aquele que não veio para condenar, mas para salvar" e que "sonha com um mundo onde o respeito seja a regra e o amor a lei maior". A reportagem não conseguiu contato com o curador da exposição de presépios pelo país, frei Róger Brunorio. A nota não explica de onde partiram as críticas aos presépios.
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