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Aecinho, neto de Tancredo, tinha futuro

O Globo - A hospitalização e a morte de Tancredo Neves abriram um buraco no chão por onde seu neto Aecinho escorregou. Secretário particular do avô recém-eleito presidente do Brasil, era, aos 25 anos, um dos homens mais poderosos da Nova República que se montava ao fim da ditadura militar, em 1985. Com a morte do avô, o neto ganhou como prêmio de consolação do vice empossado José Sarney a diretoria de loterias da Caixa Econômica Federal.

Conseguiu superar o trauma da perda do avô e de seu próprio status político. Elegeu-se deputado federal por diversos mandatos, foi presidente da Câmara, governador de Minas e senador, como Tancredo, e candidato a presidente da República. Perdeu para Dilma por pouco mais de 3 milhões de votos, mas saiu forte daquela eleição e tinha tudo para ser um candidato ainda mais forte na eleição deste ano. Tinha.

Muitos anos antes, ele teve também a confiança do avô ilustre. “Aecinho tem futuro”, dizia Tancredo, quando o levou para a campanha a governador de Minas, depois para ser seu secretário privado no governo do estado e na candidatura presidencial. Mas o Aecinho jogou tudo fora. Algumas razões são objetivas. A principal é que Aécio resolveu frequentar a banda podre da política e passou a usar os cargos que ocupava para angariar benefícios próprios de maneira ilícita.

Aécio responde a nove inquéritos. Dois pelo caso JBS, três por caixa 2, um por desvios em Furnas, outro por fraude na licitação da cidade administrativa de Minas, um por maquiar dados do Banco Rural na CPI dos Correios, e finalmente mais um por propinas no setor de energia. Em um deles, no da JBS em que Joesley Batista gravou um pedido de propina e a PF filmou a entrega de três malas de dinheiro a um primo do senador, o tucano foi flagrado, denunciado e agora é réu por corrupção em processo aberto no Supremo. Seu futuro, que já era débil diante de tantos inquéritos, desapareceu ao virar réu na terça-feira, 17 de abril.

A história de Aécio, apesar da boa carreira, jamais se comparou com a do seu avô. Primeiro, pelas falcatruas em que se viu envolvido. Claro que Tancredo também usou caixa 2 nas suas campanhas. Na biografia “Tancredo Neves, o príncipe civil” (Objetiva), escrita pelo jornalista Plínio Fraga, constata-se que mesmo a campanha do Colégio Eleitoral foi financiada por dinheiro não declarado. Mas para por aí. Há um oceano separando as ações de avô e neto.

Esta distância oceânica entre Tancredo e Aécio se dá também em razão do déficit intelectual do segundo. Aécio jamais conseguiu, e acho que nunca tentou, fazer as formulações políticas que Tancredo fazia. O avô, além de ser um político excepcional, um habilíssimo conciliador e um extraordinário articulador, era um homem de inteligência acima da média. Bem acima da média de seu neto Aecinho. Tancredo leu todos os clássicos e os citava sempre que podia. Não se conhece um título que Aécio tenha lido ou citado.

O senador-réu trocou a literatura pelos livros de caixa. O político que em 2014 mereceu a confiança de 51 milhões de brasileiros hoje é uma mancha na história de Tancredo Neves. Ao invés de seguir a trilha do avô, Aécio Neves preferiu fazer o caminho por onde andaram Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Pedro Corrêa, Paulo Maluf, Delúbio Soares, Antonio Palocci, José Dirceu e Luiz Inácio Lula da Silva. Resta saber se vai terminar no mesmo lugar para onde todos convergiram.
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