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Nem os mortos estão livres de assaltos; Cemitérios do município de Niterói vivem rotina de furtos


Em busca de peças de bronze, criminosos violaram mais de 50 túmulos em um único dia em área dentro do Maruí. Peça de mármore sem o crucifixo de bronze: uma das obras roubadas no cemitério - Brenno Carvalho / Agência O Globo

O Globo - O Cemitério do Maruí, no Barreto, tem sido alvo constante de ladrões. Nos últimos três anos, já foram registradas na 78ª DP (Fonseca) dezenas de ocorrências de furto ocorridos apenas na Irmandade do Santíssimo Sacramento, uma área particular localizada dentro do Maruí. Na maioria dos casos, há várias violações de túmulos num só dia. Somente na madrugada de 18 de novembro do ano passado foram anotados cerca de 50 delitos praticados por homens encapuzados, filmados pelas câmeras do cemitério. 

Em busca de qualquer objeto que possa ser revertido em dinheiro, os bandidos costumam invadir o local pela madrugada, sozinhos ou em bandos de até quatro pessoas, e visam à subtração de adornos, esculturas, letras, crucifixos ou quaisquer peças de bronze ou cobre. Segundo um funcionário da administração municipal do Cemitério do Maruí, que pediu para não ser identificado, os furtos são constantes. Ele conta que um guarda municipal fica de prontidão no cemitério, mas que a medida não intimida os ladrões: Não conseguimos dar conta da ação dos marginais, que é constante. 
 
Essa situação parece que virou algo natural, e os bandidos fazem porque, infelizmente, sabem que nada vai ser investigado. Uma das vítimas dos ladrões foi o advogado Acúrcio Francisco Torres Neto, de 65 anos. Após a ação do dia 18 de novembro, ele foi informado pela administração da Irmandade do Santíssimo Sacramento que uma peça de bronze da sepultura de sua mãe havia sido furtada. Pelo telefone, o cemitério entrou em contato com ele e informou que a ação havia sido registrada pelas câmeras do local e que as imagens já estavam nas mãos da Polícia Civil.
 
É lamentável e muito grave perceber que os restos mortais dos nossos antepassados possam vir a ser violados e desrespeitados. Minha mãe foi sepultada em junho de 2017 e, em dezembro, menos de seis meses depois, o túmulo dela foi violado. Os bandidos levaram um crucifixo de bronze, de aproximadamente 30 centímetros. Isso é um absurdo. A administração já entregou as imagens à polícia, e os policiais sequer dispõem-se a comparecer (no local) e muito menos a investigar — lamenta Torres Neto, morador de Icaraí. — Peço providências urgentes da prefeitura. Segundo Beatriz Saraiva, funcionária do cemitério Irmandade do Santíssimo Sacramento há três anos, numa das invasões à administração, os criminosos levaram o principal símbolo da unidade: um sino de bronze, com mais de cem quilos, que estava no cemitério desde o século XIX.
 
Eles quebraram nossas câmeras e roubaram o sino, de valor incalculável. Eles também já quebraram as nossas portas e roubaram um cofre, de mais de cem quilos também, que continha documentos e materiais históricos do cemitério. Agora, de valor, restou apenas um anjo enorme que fica em um túmulo. Eles também já tentaram furtá-lo, chegando até retirá-la parcialmente do lugar, mas não conseguiram levá-lo — conta a funcionária. 
A entrada do cemitério do Maruí é o único acesso à Irmandade do Santíssimo Sacramento - Brenno Carvalho / Agência O Globo 
 
Delegacia aponta falta de elementos

Beatriz Saraiva trabalha desde 2015 na Irmandade do Santíssimo Sacramento. Ela conta que, desde então, já foram feitos mais de dez boletins de ocorrência, presenciais e pela internet, denunciando os furtos. Além de furtar peças de bronze e cobre das sepulturas e de destruir câmeras de monitoramento, os bandidos invadiram pelo menos três vezes a sede da administração. Segundo ela, após tantos roubos, já não existe praticamente nada mais para ser levado pelos criminosos. Não há dia certo para as invasões, mas é sempre de noite ou de madrugada. A polícia não investiga, apesar de sempre encaminharmos as fotos mostrando o estado das sepulturas. Além disso, anexamos as imagens registradas pelas câmeras, mas não adianta nada. É triste ter que ligar para os familiares para dar uma notícia dessas. Independentemente do valor material, todas as perdas são lastimáveis — conclui a funcionária.


A respeito dos furtos sucessivos que continuam ocorrendo no cemitério, o delegado titular da 78ª DP (Fonseca), Luiz Henrique Marques, informou que está apurando os fatos registrados e que, até o momento, “não foi possível concluir as investigações por falta de elementos”. A prefeitura, responsável pelo Maruí, informou que a Secretaria de Ordem Pública mantém um guarda no local 24 horas por dia, e que a região conta com o monitoramento de câmeras do Cisp que não registraram nenhuma ocorrência nos últimos tempos. Alegou também que estudos estão sendo levantados sobre a modelagem de uma parceria público-privada que contemplará a parte de segurança e manutenção dos cemitérios da cidade.
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