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Ex-prefeito é condenado a 20 anos de prisão por chacina de 400 cães

Animais resgatados em 2013: ONG de Belém conseguiu salvar alguns cachorros de Santa Cruz do Arari.
UOL - O ex-prefeito de Santa Cruz do Arari, Marcelo Pamplona, município de menos de 10 mil habitantes na Ilha de Marajó (PA), foi condenado a 20 anos de prisão e a pagamento de multa de R$ 1,7 milhão pela matança de 400 cachorros em maio de 2013 e por tentativa de obstruir as investigações. A sentença judicial foi dada em primeira instância no fim do último mês, e ainda cabe recurso.

Pamplona é acusado de organizar recolhimento de cães na cidade, inclusive oferecendo recompensa aos moradores que capturassem animais - seriam R$ 10 por fêmea e R$ 5 por macho. Os cachorros eram, na sequência, lançados à água ou abandonados em uma ilha. O objetivo, segundo o ex-prefeito, era "reduzir a superpopulação de cachorros na zona urbana da cidade." Mais seis pessoas foram condenadas no caso: Luiz Pamplona, Waldir Sacramento, José Trindade, Josenildo Trindade (vulgo Nicão), Odileno Souza e Alex Costa.
 
Na sentença, o juiz Leonel Cavalcanti escreveu que os réus têm "personalidades reprováveis, por serem pessoas frias, calculistas e insensíveis ao sofrimento de indefesos animais". O magistrado determinou ainda que os condenados sejam afastados do serviço público, se for o caso, pois os crimes foram praticados com o uso de bens públicos. A condenação é resultado de uma investigação do MPE (Ministério Público Estadual) paraense, que denunciou crime ambiental continuado. Segundo os promotores, os animais capturados eram levados para o ginásio de esportes, de onde seguiam em embarcações - uma delas, de propriedade da prefeitura.

"Fotografias e vídeos obtidos durante as investigações mostram os animais laçados e arrastados pelas ruas, ocasionando fraturas, perda de pedaços de peles e sangramentos. Eles eram levados para porões de barcos e apanhavam com pedaços de paus. À medida que cachorros iam morrendo dentro das embarcações, eram jogados na beira do lago", diz o MPE. Na época das denúncias, alguns animais foram resgatados por uma ONG de proteção animal e levados para Belém. O ex-prefeito ainda teria coagido testemunhas e agredido um homem que se opôs à captura de seus cães. A testemunha vive atualmente sob proteção policial. 
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